Frente à urgência climática, a Amazônia encontra-se num ponto de viragem. Entre a pressão agrícola, a desflorestação e as alterações climáticas, os ecossistemas e as comunidades locais estão fragilizados. No entanto, existe outro caminho: a bioeconomia.
Assim, a ideia é fazer com que a floresta gere mais valor viva do que destruída.
O que é a bioeconomia?
Perante os desafios ambientais e sociais na Amazônia, a bioeconomia impõe-se como uma alternativa credível aos modelos agrícolas intensivos responsáveis pela desflorestação. Apoiada por entidades de referência como a Embrapa e o WWF, baseia-se num princípio fundamental: valorizar os recursos naturais preservando os ecossistemas.
Concretamente, a bioeconomia consiste em explorar as riquezas biológicas de forma sustentável para gerar valor económico. Na Amazônia, por exemplo, isso passa pela implementação de sistemas agroflorestais, pela valorização de produtos provenientes da floresta, como o açaí, e pela manutenção dos equilíbrios ecológicos.

Por que razão a bioeconomia é essencial na Amazônia?
Este modelo opõe-se diretamente às lógicas extrativas tradicionais. Enquanto algumas atividades implicam arrasar a floresta para instalar culturas intensivas, como a soja destinada à pecuária bovina, a bioeconomia propõe uma abordagem inversa. Baseia-se na ideia de que a floresta pode tornar-se uma fonte de rendimento sustentável, desde que seja preservada.
Neste contexto, a valorização económica do açaí desempenha um papel determinante. Ao gerar rendimentos regulares para os produtores, limita a pressão para converter as terras em áreas agrícolas intensivas. Assim, a floresta torna-se mais rentável quando é mantida de pé do que quando é destruída, o que constitui uma poderosa alavanca contra a desflorestação.
Como a Nossa! aplica a bioeconomia
O exemplo da Nossa! ilustra concretamente como a bioeconomia pode ser implementada à escala de uma cadeia de valor. Ao estruturar uma cadeia de abastecimento em torno do açaí, a empresa demonstra que é possível conciliar desempenho económico, impacto social e preservação da biodiversidade.
Um modelo agrícola regenerativo
Do ponto de vista ambiental, mais de 201 hectares encontram-se atualmente sob gestão regenerativa, segundo protocolos desenvolvidos com a Embrapa. Esta abordagem visa preservar os ecossistemas existentes, melhorando simultaneamente a sua resiliência. É acompanhada por ações de restauração, incluindo a plantação de 300 árvores nativas para reforçar a biodiversidade e a estrutura das parcelas.
Para a Nossa!, proteger a Amazônia implica uma gestão ativa da biodiversidade, baseada em princípios científicos. Para garantir que o açaí provém de zonas verdadeiramente sustentáveis, 82 % dos produtores parceiros realizam um inventário florestal completo em colaboração com as nossas equipas.
Esta iniciativa baseia-se numa metodologia precisa desenvolvida pela Embrapa, assente num equilíbrio entre produção e biodiversidade: 16 árvores de espécies diversas para 25 touceiras de açaí numa parcela de 25 × 25 metros. Quando a densidade de açaí se torna demasiado elevada, sinal de um sistema empobrecido, são replantadas espécies florestais para restaurar um ecossistema mais rico e resiliente.

Criação de valor local
Do ponto de vista económico, em 2025 a Nossa! comprou cerca de 1 400 toneladas de açaí diretamente às suas cooperativas parceiras, o equivalente a aproximadamente 100 000 cestos. Esta injeção de valor na economia local é acompanhada pelo reforço das práticas sustentáveis, com um aumento de 78 % dos volumes certificados como biológicos e a generalização do comércio justo à totalidade dos volumes.
Uma alavanca contra a desflorestação
Este modelo desempenha um papel determinante no combate à desflorestação. Ao proporcionar oportunidades económicas estáveis e remuneradoras, reduz significativamente o incentivo para os produtores venderem as suas terras ou convertê-las para usos intensivos, como o cultivo de soja ou a pecuária bovina. Assim, a floresta torna-se mais rentável quando é preservada do que quando é destruída.
Acompanhamento no terreno pela Nossa!
O impacto assenta também num acompanhamento humano estruturante. Mais de metade do tempo da nossa equipa brasileira de RSE é dedicado ao trabalho no terreno. Esse tempo permite assegurar um acompanhamento regular dos produtores. Para aprofundar este trabalho, em 2025 foram formadas 52 pessoas em temas essenciais, como gestão financeira, agricultura sustentável e segurança no trabalho. Além disso, a instalação de 12 colmeias de abelhas sem ferrão contribui para melhorar a polinização, aumentar os rendimentos e gerar fontes de rendimento complementares.

Para saber mais e conhecer todos os resultados, indicadores e ações realizadas no terreno, o relatório de impacto 2025 da Nossa! detalha de forma transparente os compromissos e os progressos alcançados em toda a cadeia de valor.
A bioeconomia no centro dos desafios climáticos mundiais
A bioeconomia afirma-se progressivamente como uma alavanca central no combate às alterações climáticas. Por ocasião da COP30, em 2025, a bioeconomia foi destacada como uma solução concreta para conciliar o desenvolvimento económico e social com a preservação da biodiversidade.
Neste contexto, a Nossa! participou ativamente nos debates para apresentar uma perspetiva baseada no terreno e dar visibilidade a um modelo de cadeia de valor assente na regeneração. O objetivo era fazer ouvir a voz dos produtores e mostrar que a bioeconomia não é um conceito teórico, mas uma realidade já em prática na Amazônia.
Esta intervenção baseou-se, nomeadamente, em testemunhos concretos. Como explica Gustavo, produtor de açaí da associação APREMARMU:
« Para nós, a bioeconomia não é apenas um conceito, é uma questão de sobrevivência económica. Falei sobre a nossa transição para a agrofloresta: ao associar o açaí ao cacau, à mandioca e a espécies florestais, reduzimos a temperatura da parcela e conservamos a humidade. »

Os projetos apresentados neste contexto mostram que abordagens integradas, que combinam agrofloresta, investigação científica e conhecimentos locais, permitem reforçar a resiliência dos sistemas agrícolas. O exemplo da apicultura integrada nas culturas de açaí ilustra esta dinâmica. Ao promover a polinização, melhora os rendimentos, apoiando simultaneamente a biodiversidade e diversificando as fontes de rendimento das comunidades.
Estas iniciativas assentam numa estreita cooperação entre empresas, investigadores e produtores. Demonstram que a transição para modelos sustentáveis só pode ser concretizada através de uma abordagem coletiva, enraizada nos territórios e conduzida por quem vive da floresta.
O que é preciso reter sobre a bioeconomia
A bioeconomia aplicada ao açaí demonstra que é possível transformar profundamente os modelos de produção. Permite preservar a floresta amazónica, criando simultaneamente empregos sustentáveis e respondendo aos desafios climáticos.
Os resultados obtidos pela Nossa! mostram que um modelo alternativo não só é viável, como já está em prática. Ilustram concretamente como uma cadeia de valor pode evoluir para alcançar mais transparência, sustentabilidade e impacto mensurável.
Para compreender em detalhe as ações implementadas e os resultados obtidos em 2025, o relatório de impacto constitui um recurso essencial, oferecendo uma visão completa e quantificada desta transição.